domingo, 27 de novembro de 2011
Ofícina de Pintura - Releitura em Tela
Releitura é uma nova leitura sobre o texto anteriormente lido. Deste modo, “a cada leitura, o que já foi lido muda de sentido, torna-se outro” [1]. Pois a cada leitura vamos ampliando nossa significação do objeto analisado, pois a cada leitura estamos modificados, vivenciamos outras experiências, adquirimos outros conhecimentos, ampliamos nossa bagagem cultural. Sendo assim, uma leitura nunca será igual a outra leitura, a uma releitura. Podemos então definir a releitura, como uma atualização do olhar que se transforma, que se amplia a cada nova leitura.
Releitura no sentido do Fazer Artístico significa fazer a obra de novo acrescentando ou retirando informações. Não é cópia. Reler uma obra subentende adquirir conhecimento sobre o artista e a contextualização histórica. É uma nova visão, uma nova leitura sobre a obra já existente.
Depois de analisar as obras os alunos realizaram releituras das mesmas, compreendendo estas releitura como diz Heleny Galati (MASP) "a diferença entre Releitura e cópia é a seguinte: na cópia você reproduz fielmente (ou pelo menos tenta) o quadro do artista. É isso que os falsificadores fazem. Já a Releitura implica em produzir aquilo que se entendeu da obra, sem preocupações com semelhanças.”
Ofícina de Pintura - Releitura em Telha
É inegável a existência de expressões artísticas com raízes africanas no Brasil desde o período colonial. Segundo Silva e Calaça (2006, p. 52), “a mão-de-obra escravizada, trazida de várias partes do continente africano a partir de 1535, possuía tradições culturais milenares e tinha o domínio sobre o metal, o bronze, o ferro, o ouro e o marfim”. Enquanto que “os colonos portugueses, estavam mais preocupados em desenvolver a empresa açucareira e a procura do ouro”.
Na Oficina de Pintura estudamos a vida e as obras de vários artistas afros descendentes como Estevão Silva o primeiro pintor negro a se formar na Academia imperial de Belas Artes, Manuel da Cunha que iniciou sua carreira ainda na condição de escravo, conseguindo comprar sua alforria com os frutos de sua arte, Heitor dos Prazeres grande artista plástico e compositor entre tantos outros.
Projeto: 14 em ação - Busca da Cultura Afro-Brasileira
O Brasil possui a segunda maior população negra do planeta e a primeira fora do continente africano. Mais da metade de população brasileira tem ascendência africana. De acordo com dados do IBGE em 2009, 51,1% dos brasileiros se reconhecem como pretos ou pardos.
O preconceito e a descriminação racial têm feito com que os negros de nosso país sejam vistos como sinônimo de seres inferiores. Uma pesquisa realizada pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas [1] (Fipe) em 501 escolas públicas do país revelou dados preocupantes sobre o preconceito no ambiente escolar. Das 18,5 mil pessoas entrevistadas, entre alunos, professores, funcionários e pais, 99,3% demonstram algum tipo de preconceito. Sendo que, entre estes, 94,2% têm preconceito étnico-racial.
Considerando a complexidade da temática e as possibilidades de atuação no combate as situações de preconceito dentro do ambiente escolar, os profissionais da educação das diferentes áreas do conhecimento que atuam na escola Estadual 14 de Fevereiro propôs um projeto de intervenção sobre o tema para ser trabalhado de forma sistemática ao longo do ano letivo de 2011.
Desse modo, o projeto, cumpre um duplo papel: por um lado auxiliar na difusão da cultura afro-brasileira entre os alunos e demais comunidades; por outro lado, será um recurso precioso no processo educacional, de forma a combater a descriminação e o preconceito racial, levantando assim a auto-estima de nossos alunos negros. Sobretudo se levarmos em consideração a história da região, que durante o período colonial recebeu um grande número de negros vindos de diversas nações africanas que povoaram a região e cuja presença é marcante até os dias atuais. Tanto que:
Até 1976, Pontes e Lacerda era um aglomerado pertencente à cidade de Vila Bela da Santíssima Trindade, tornando-se um distrito desta àquele ano, através da Lei Estadual 3.813. Finalmente em 1979, através da lei estadual 4.167, foi criado o município de Pontes e Lacerda, desmembrando para si parte do território pertencente à Vila Bela da Santíssima Trindade [2].
A cidade de Pontes e Lacerda onde a escola está inserida conta hoje com cerca de 41.000 habitantes de acordo com as informações do censo de 2010 [3] conta com uma população diversa, a proximidade da fronteira com a Bolívia que facilita o trânsito entre os dois países, também nos coloca diante de mais uma situação que reforça o preconceito, a não aceitação dos valores culturais do outro, nesse caso o estrangeiro.
Diante desse contexto múltiplo e plural o nosso projeto de intervenção está estruturado para ser trabalhado dentro da escola a partir das três áreas do conhecimento, a saber:
A área de ciências humanas e especificamente as disciplinas de filosofia, geografia e História podem contribuir no entendimento e no enfrentamento dos estereótipos no âmbito escolar realizando uma reflexão ética, embasada na perspectiva da compreensão de como se deu a ocupação histórica do lugar e como o espaço geográfico foi sendo construído.
Na área de Linguagens busca-se debater e refletir sobre a herança cultural africana e a importância de cada um no processo de construção de nosso país, a partir da análise das produções literárias e artísticas, bem como a realização de oficinas de arte onde se trabalhará artistas afros descendentes.
Na área das exatas, haverá a ênfase na disciplina de física, o projeto de intervenção tem o objetivo que o aluno, com o auxílio da construção e uso de instrumentos musicais africanos, aplique nos conteúdos de onda e acústica, possibilitando que ele faça relação entre os referidos instrumentos e sua origem ética.
A superação da relação oprimido/opressor, como afirma Paulo Freire (1987), somente ocorrerá se ambos se conscientizarem dessa relação. Nesse sentido, a superação dos estereótipos ocorrerá se as pessoas envolvidas nas relações étnicorraciais, perceberem que são protagonistas dessa relação e, portanto, responsáveis pelas atitudes e comportamento que diz respeito ao outro. O papel, portanto das áreas de conhecimento envolvidas nesse projeto de intervenção no contexto escolar, seria contribuir na reflexão levando em conta as distintas dimensões que os pressupostos das diferentes disciplinas podem proporcionar como subsídios para combater os estereótipos. Analisando a visão de conjunto de como são constituídos os estereótipos; e aprofundando radicalmente, no sentido de ir às raízes do problema, para entender as possíveis causas dos estereótipos e caminhos para superá-los.
Quando se fala na contribuição que os negros deram à civilização e à cultura brasileira, dificilmente se pensa de imediato em artes plásticas. Em geral, o que vem à lembrança é a música, em primeiro lugar, e fenômenos a ela relacionados, como os desfiles de escola de samba, o carnaval e outras manifestações.
O desejo de se trabalhar a contribuição dos artistas plásticos afros- descendentes surge exatamente da percepção do silêncio sobre os artistas plásticos afro-descendentes como agente na arte brasileira. Segundo Dilma de Melo e Silva (1997, p. 44), os “livros didáticos de Educação Artística, adotados por 30% de professores da rede pública e consultados por 70% destes, são totalmente omissos no que se refere à produção cultural e artística do negro”.
Grande parte de nossos alunos e porque não dizer de nossa sociedade, vê os afros descendentes, como uma população subalterna, sem-cultura, sem arte e escravizada. Essa visão leva a descriminação a desigualdades sociais e uma baixa auto-estima de nossos alunos negros. É preciso reverter esse quadro.
A oficina de Pintura que se deu dentro deste projeto pedagógico visava tirar do anonimato os grandes artistas afros descendentes e estudar através da história das artes plástica como se deu a representação do negro nas obras de arte, percebendo assim a presença da cultura africana e como está é importante para nossa história. Abrindo um leque de discussões em torno da diversidade cultural existente em nosso país, a fim de que essa diversidade seja respeitada e valorizada. Resgatando a auto-estima por nossa história uma vez que a população brasileira e fruto desta cultura.
As atividades propostas na oficina de pintura tiveram como objetivo servir de subsidio didático na construção dos conhecimentos da cultura Afro-Brasileira, mais especificamente no que tange o conhecimento das Artes Plásticas. Buscando abordar de forma sucinta a história das artes plásticas por meio da vida e obras de artistas negros brasileiro. Analisando as obras realizadas por estes artistas, assim como o quê vêm a ser uma releitura de obras de arte.
A partir da reflexão e apreciação das obras destes artistas os alunos desenvolveram releituras pintadas em telha e em telas. Mesclando os conteúdos dos mesmos e criando um novo material de ensino pois, “A arte se define justamente pela diversidade, por propor algo que é pessoal e único. Quando se aceita esta premissa, temos que descartar toda atividade que tenha como ponto de partida a uniformidade. (MOREIRA; 1997, p.84)”.
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[1] Disponível em http://portal.mec.gov.br/dmdocuments/diversidade_apresentacao.pdf
[2] Fonte: Enciclopédia Ilustrada de Mato Grosso, Autor: João Carlos vicente Ferreira - Cuiabá: Buriti, 2004. Anuário Estatístico de Mato Grosso 2005, Associação Mato-Grossense dos Municípios-AMM
[3] Fonte: http://www.ibge.gov.br/cidadesat/link.php?uf=mt. Data do acesso: 10/02/2011.
quinta-feira, 30 de junho de 2011
Projeto: Arte - Reflexão e Ação
O Projeto “Arte – Reflexão e Ação” foi desenvolvido no decorrer do ano de 2010, pela Professora Nilva F. Oliveira da Boa Morte, nas aulas de Arte no período matutino nas turmas de ensino médio da Escola Estadual 14 de Fevereiro. A idéia era Refletir sobre o contexto histórico e produtivo, em que as obras de arte, no decorrer da História da Arte, foram construídas e a partir do estudo e da Análise das Obras seguir para a ação construindo novos olhares sobre estas obras de arte.
A que se pensar que os alunos do ensino médio precisam ter um aprendizado significativo. A reflexão leva a questionamentos que tornam o aprendizado significativo. Quando olhamos uma obra e passamos a refletir sobre ela, surgem perguntas: Para quem ela foi feita? Por quem ela foi produzida? Em que época? Etc. Ao buscar respostas para estas e muitas outras perguntas levamos nossos alunos a realizarem uma análise da obra e do contexto de sua produção. E neste sentido a reflexão sensibiliza o olhar para a fruição e posterior criação.
Foi neste sentido que o projeto se firmou e parte das produções dos alunos está postada aqui por meio de algumas fotos.
Releitura da Obra "Abaporu" de Tarsila do Amaral
Realizada pela Turma do 3º Ano D/2010/Matutino
Se ensinar é criar condições para que o aluno aprenda, o professor deve buscar, meios e formas para que o aprendizado seja significativo. Pensando em como a arte pode se tornar significativa é que este projeto se deu, nele podemos ter a participação concreta do aluno, a reflexão, a interpretação e a recriação ação dos alunos.
Registro das Releituras Feitas em Telhas
Alunos do 3° Anos A e B
Registro das Releituras Feitas em Escultura em Argila
Alunos do 2° Anos
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